sábado, 15 de agosto de 2015

Bretanha: árvores estranhas, no verão

L’hiver
C’est en hiver qu’il faut visiter la Bretagne. C’est à l’époque des vents fous et meurtriers qu’il faut battre ses chemins, visiter ses ports, se glisser dans ses chapelles humides. Armez-vous de manteaux et de bottes et arpentez ses grèves et ses collines.
L’hiver breton, entre deux marées, entre deux averses, présente parfois l’azur impeccable d’un ciel rageusement lessivé par le vent de galerne. Du haut des collines dépeuplées de leurs frondaisons, on voit plusieurs clochers pareils à des épées plantées dans le firmament. Le pays débarrassé de ses compromissions touristiques, respire son air, étale toutes les nuances de ses couleurs, accueille les oiseaux étranges et migrateurs dans ses labours frais. Intimiste ou métaphysique, repliée dan ses talus ou livrée au mystère du monde, c’est toujours aux âmes que la Bretagne s’adresse au temps d’hiver. Et c’est au temps d’hiver, hélas, que les visiteurs la désertent.
Dommage !
Xavier Grall: Les Vents m’ont dit – Editions Caligrammes (1981)
(Texto que encontrei cravado no tronco de uma árvore, algures em Pont-Aven, em 2015).



A Bretanha é terra metida no mar, com cabos e baías notáveis, marcada por viagens, naufrágios, guerras sem fim e uma mistura entre paganismo e cristianismo que as lendas locais nos contam profusamente. Dessa geografia e dessa história falam inúmeros objetos que se elevam dos solos apontando ao céu: faróis, menires, monumentos aos heróis e aos mortos de guerra, cruzeiros, igrejas,...

Mas acredito que só no inverno se consiga sentir o que está para lá destes extraordinários objetos, destas árvores de metal e pedra.  No verão, os enxames de turistas tiram-lhe quase todo o mistério. Visitei a Bretanha, pela segunda vez, e tive novamente a sensação de que estava a perder quase tudo o que lá procurava.
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Nota: de férias, na Bretanha, tiro umas fotografias e publico-as no Facebook. É um meio mais rápido, quase instintivo, e que favorece a interação com os outros. Preguiçosamente, acabarei por ir colocando aqui algumas dessa impressões. Sem ordem, sem regra.

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