terça-feira, 28 de julho de 2015

Repitam. Repitam. Repitam.

Mais uma vez lado a lado, mais uma vez nas páginas do Público.


De um lado, uma Câmara Municipal que vem, passados quatro anos, perdoar 350 mil euros a uma empresa privada a quem vendeu uma Escola Profissional. É justo, tendo em conta que, entre outras irresponsabilidades, «os documentos financeiros que, em 2011, serviram de base ao negócio de venda da participação do município no capital do estabelecimento de ensino continham também um erro na previsão de receitas. Um conjunto de candidaturas a fundos comunitários ainda em fase de aprovação foram registados como receitas previstas. Essa verba de 259 mil euros nunca chegou a ser aprovada».

Do outro lado, uma «agência», cujos sócios são os municípios da região do Tua, quer entregar os transportes a um privado. Abre um concurso para concessionar a operação do sistema de transportes e a construção das infraestruturas onde, desde logo, avança com rebuçados: «A agência garante a potenciais interessados 10 milhões de euros já disponibilizados pela EDP, sendo que o plano, que tem um custo global de 30 milhões de euros, é elegível para fundos comunitários». Ainda mais: «Caso não apareçam interessados no concurso, o director da agência vaticina que "o problema que se vai por é a viabilidade deste projecto"».

Não aprendemos, e daqui a quatro anos vamos ver como está este negócio. Quando se verificar que os «estudos» existentes são histórias da Carochinha, destinados apenas a caçar os «fundos comunitários», que provavelmente são uma miragem, ou os milhões da EDP.

Mais uma vez, dirão que o problema é esta febre privatizadora, o neoliberalismo reinante. Não é. O problema são estes amadores em cargos de decisão. São as nossas leis e os nossos costumes, que não responsabilizam nunca os políticos ou os técnicos que os apoiam, funcionários e consultores, por más decisões; desleixadas; fraudulentas; criminosas. É este espírito de querer, a todo o custo, aquilo que não se pode pagar. É querer viver acima das nossas posses.

E quem vai querer parar o desenvolvimento?

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Nota: as citações são do Público de hoje. Por isso, os erros ortográficos são da exclusiva responsabilidade da sua direção.

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