sexta-feira, 10 de julho de 2015

Ódios públicos



A arrogância moral e a falta de respeito invadiram o debate público, seja qual for o assunto em discussão. A forma como hoje se escreve num blogue, numa rede social ou num jornal ultrapassou os limites do aceitável. Porque uma coisa é debater ou, até, desabafar, mas outra, bem diferente, é partir de uma base de desprezo e insulto. Eu próprio caio muitas vezes nessa armadilha, por muito que tente controlar-me e prometa corrigir-me.

Ilustro com o caso de Angela Merkel, uma das vítimas favoritas das vozes da Verdade. Ela nasceu em Hamburgo, em 1954, mas viveu desde criança na Alemanha Oriental. O seu pai era filho de um polaco. Licenciou-se em física e doutorou-se em química quântica, em Leipzig. Por isso, concorde-se ou não com o que diz e o que faz, pelo menos respeite-se a experiência de vida e a inteligência.

À partida, Angela Merkel merece-me mais confiança do que a maioria dos que a atacam, espumando ódio. Ela está mais bem preparada do que os críticos ocidentais para compreender por que razão os povos da Alemanha, dos países bálticos e, em geral, das antigas repúblicas soviéticas, no leste da União, não aceitam solidarizar-se com o governo grego. Ela sabe o que é viver num regime comunista. Ela viveu a experiência do terror que se seguiu ao nazismo.

Defender a Europa do Syriza (como da Frente Nacional) não é um ato de agressão ao povo grego (nem ao francês). É defender um modo de vida em Liberdade. Os que não querem esse modo de vida podem escolher outro caminho, mas não podem dizer que os outros povos não lutam, também, por eles. É isto que interessa, não uns milhões de euros a mais ou a menos.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Esteja à vontade para comentar. E escreva na língua que lhe apetecer, mas escreva bem!