sexta-feira, 3 de julho de 2015

Newropa 2/3

Um caminho

Passo 1: organizem-se!

Faça-se uma pausa no festim frenético do fanatismo. Interrompa-se a briga com a Grécia. E prepare-se um referendo europeu. Faça-se, em todos os países, um referendo sobre as negociações com a Grécia. Em setembro de 2015, para não perder tempo, mas dando tempo para pensar.

Para evitar a contaminação maniqueísta, coloquem-se três alternativas aos cidadãos.

a) A solução da moca, que consiste numa linha do tipo "espartano" para o futuro da Grécia e da Europa. Poucas concessões ao "facilitismo", cumprimento de compromissos, ou seja, a posição inicial dos países ditos "do norte" e dos que alinham com eles. Pode ser que resulte, pelos padrões preferidos dos que têm liderado a construção europeia nos últimos anos. Dizem que resultou na Irlanda, em Portugal, nos países do Báltico, etc. Não sei. Provavelmente, este caminho reconduzirá ao que estava a ser seguido, o que para uns é inaceitável e para outros é como devia ser. Depois vê-se, mas admito que alguns países venham a ter de sair da Nova Europa, se as regras forem estas.

b) A solução aprire le gambe (abrir as pernas), a que o governo grego tem proposto: algumas reformas, mais dinheiro para financiar o Estado. Não passa pela cabeça de ninguém que isto seja só para os gregos, já que a porta aberta servirá a outros. Trata-se, no fundo, de uma solução que conduzirá ao mesmo da anterior, embora não pareça. A diferença poderá ser no número de países que ficarão no pelotão europeu, que neste caso serão mais, já que o modelo social e económico continuará baseado no consumo e no empurrar com a barriga.

c) A solução Strauss-Kahn, proposta (mais ou menos) pelo antigo DG do FMI, agora personalidade querida da esquerda e futuro presidente da República Francesa. É a chave, quanto a mim, da mudança (desculpem revelar já o meu voto). Consiste em fazer um acordo que vigora por três anos: os gregos (e os portugueses, os italianos, os franceses...) aceitam não pagar/cobrar qualquer dívida ou juros (limitando-se, de forma conjunta, com o BCE, a honrar os compromissos com países ou entidades de fora da Europa - por exemplo, os gregos apenas terão de negociar os pagamentos ao FMI, ficando a dívida aos países, cidadãos e empresas europeias suspensos); em contrapartida, nem mais um cêntimo é emprestado a ninguém. Cada Estado terá de viver com o seu próprio equilíbrio (o que significa que as "reformas" serão, finalmente, percebidas como urgentes). E, neste período, com mais calma, procuram-se soluções.


Este é apenas o passo inicial. Qualquer que seja o resultado, deve sempre seguir-se um período de refundação política, institucional e social europeia, que será o próximo passo. Voto (c) porque assim pode fazer-se tudo ao mesmo tempo.

(Continua)

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