quinta-feira, 30 de julho de 2015

Há várias maneiras de esfolar um gato, mesmo que seja grande

Respigo da imprensa duas notícias muito recentes.


Jane Birkin, artista que muito admiro, deu, há mais de 30 anos, o nome a uma carteira (mala, bolsa) da marca Hermès. Há uns dias, preocupada com notícias sobre a forma como chacinam crocodilos para lhes tirar a pele com que fazem as malas, dirigiu-se ao fabricante nestes termos: «Fui alertada para a cruéis práticas na matança de crocodilos para produzir a mala da Hermès com o meu nome. Pedi ao Grupo Hermès para renomear a Birkin até que sejam adotadas melhores práticas, que respondam às normas internacionais, na produção desta mala».

Um dentista americano, praticante de caça grossa nas horas vagas, matou um leão no Zimbabué. Teve azar: o leão chamava-se Cecil e era uma vedeta. Um frémito de indignação correu o mundo e até os jornais mais caretas noticiam: «O dentista que matou o leão errado».


Mundo estranho este, em que há leões certos e leões errados para matar por desfastio  e «melhores práticas» para esfolar crocodilos e fazer malas de luxo com a sua pele. É, enfim, o mundo dos que se indignam com o tratamento cruel aos animais, enquanto afagam os «seus» fiéis amigos, que mantêm em indigno cativeiro, lá nos seus apartamentos.

2 comentários:

  1. Isto já vem de longe. Basta lembrar Sophia:
    As pessoas sensíveis não são capazes
    de matar galinhas
    porém são capazes
    de comer galinhas...

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  2. Ah! Já me lembrei hoje de Sophia, a poeta que era um exemplo da luta contra o Acordo Ortográfico de 1990, mas achava que «dança» devia escrever-se com «s», porque o «ç» lhe parecia uma letra sentada....
    Tem toda a razão. Faz-me impressão ver gente que não come bicho, mas usa cinto da pele dele.

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