sexta-feira, 17 de julho de 2015

É da sardinha! (Peixeiradas, parte 2)

Eu ainda sou do tempo em que uma sardinha dava para duas ou três pessoas, e ninguém passava fome. A sério, sou, embora lá em casa não tivéssemos propriamente problemas de escassez e esta expressão sirva mais para ilustrar a situação geral de sobriedade na vida dos portugueses. Parece que, no futuro, ainda vai ser pior, uma sardinha vai ter que dar para seis. E terão que cumprir duas condições: ser ricos e conhecer "alguém" na lota, que lhe reserve uma caixinha de três para o São João. Por sorte, nenhuma será moída.


Os pescadores, que são cúmplices menores em mais este crime contra a Natureza (e, portanto, contra a Humanidade), são contra esta redução e dizem que só a tiro os vão impedir de alimentar a gula dos famélicos portugueses. "Que estes pseudo-cientistas filhos da pota vão para o rodovalho!", dizem. Eu, enfim, sou mais pragmático. Teremos sempre o salmão.

(Agência Lusa, através do Observador).

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