quarta-feira, 22 de julho de 2015

Adonde vais, Europa?

É o que apetece perguntar ao folhear o Público de hoje. Em páginas fronteiras, dois artigos interpelam o nosso ceticismo acerca do Velho Continente, cujo fim tem sido anunciado aos quatro ventos.


De um lado, Eduardo Lourenço, num texto um pouco enigmático - mas acho que é por ser mal escrito - assegura: há uma Europa, apesar de ameaçada por um inimigo externo («eis que um tsunami histórico sem precedentes se transformou numa contestação do Ocidente»). E conclui o ensaísta: «Que estratégia poderá inventar o nosso velho continente, ainda há um século em perigo de morte por sua própria culpa e erros, contra um adversário que não terá, em face dele, nem leitura que permita aceitá-lo ou compreendê-lo nem, naturalmente, vontade de poupá-lo quando chegar o momento do seu confronto inevitável e já em curso?» Ao colocar uma imagem com a bandeira grega, drapejando sob um céu carregado, a ilustrar o artigo, o que estará o Público a insinuar?

Na página seguinte, o uroginecologista Alexandre Valentim Lourenço responde à pergunta a que Eduardo Lourenço (serão familiares?) fugiu, e que está logo no título («Prevalência das disfunções miccionais é semelhante nos países europeus?»). E a resposta é clara: «A prevalência das disfunções miccionais é semelhante nos países europeus e as ligeiras diferenças estatísticas nacionais podem apenas traduzir formas diferentes de contabilização e definição da doença ou populações».

Tal como em Lourenço, também aqui perpassa uma certa ambiguidade: fala-se muito da bexiga hiperativa e da incontinência urinária em Portugal, dando estatísticas e bons conselhos, mas não se chega a compreender porquê este título, porquê aquela (única) referência à Europa. Não importa, prova-se que ela existe e é una. Apesar de, neste caso, sentir a falta de uma ilustração à altura, com Asclépio (ou a sua mãe, Corónis) mictando abundantemente.

E pronto, é verão, os passarinhos pipilam alegremente e eu gosto desta silly season precoce...





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