segunda-feira, 29 de junho de 2015

O que arde sem se ver

Na sua crónica de hoje, no Público (a que chamou «Quando tudo arde»), o político Rui Tavares, dirigente do partido Livre/Tempo de Avançar, descai-se em duas passagens.

Primeiro, apesar de público defensor da ideia de que a democracia está a ser esmagada na Grécia, diz que os restantes países bem podiam facilitar, porque nenhum teria dificuldade em passar um acordo tolerante no seu Parlamento. Mas, RT, no Parlamento? Dado que se trata, apenas, de uma questão de respeitar a vontade do Povo, podia antes fazer-se, em cada país, uma consulta popular, um referendo, sobre o assunto, não? Ou há receios de que muitos cidadãos na Europa se opusessem?

Mais adiante, RT sugere que, no mínimo, se deveria adotar a proposta do ex-proxeneta, ex-porco neoliberal, ex-secretário-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, que consiste em não emprestar mais dinheiro à Grécia, mas também não lhe exigir qualquer pagamento nos próximos dois anos, enquanto continua a trabalhar-se numa solução a contento de todos. A mim, não parece má ideia, mas este súbito fogo que arde sem se ver revela-nos que RT, realmente, continua a investir na imagem de político responsável, o esquerdista em que António Costa e os eleitores socialistas que preferiam Seguro poderão confiar, por oposição aos radicais do (escrever o nome de um dos dez movimentos nascidos da fragmentação do Bloco e da ala esquerdista do PS).




Sem comentários:

Enviar um comentário

Esteja à vontade para comentar. E escreva na língua que lhe apetecer, mas escreva bem!