sábado, 25 de abril de 2015

Vinte e cinco do quatro: é preciso aligeirar a data

O 25 de Abril transformou-se numa data fúnebre, em que a burguesia chora lágrimas de crocodilo e arranca os cabelos na praça pública, clamando contra os ordinários que mataram "Abril". Claro que esta mesma burguesia é formada pelos que muito ganharam com o saque do Estado e do nosso futuro comum nos últimos quarenta anos, e na sua maioria agora choram por privilégios afetados, e não por qualquer valor de Abril. Até à Grande Falência e ao governo da Troica, raramente pensaram naqueles para quem Abril nunca chegou. Aqueles que, por acaso, nem andam aí a arrepelar-se no Facebook.

É preciso, portanto, retirar a carga negra e solene deste Dia. O Linguado deixa o seu contributo, esperando ofender alguém, com piadinhas baratas do tipo:
  • Diz o Acordo Ortográfico de 1990: 25 de Abril, sempre; 25 de abril, uma vez em cada ano.
  • 25 de Abril, sempre; mas era escusado calhar ao fim de semana...
O 25 de Abril dos Cravos Vermelhos começa a ter um cheiro opressivo, a velório. Mas o 25 de Abril dos Cravos-da-Índia é muito mais aromático, lembrando o sol das paragens longínquas que sempre atraíram e iluminaram este Povo. Festejemos, pois, mas com Alegria! Deixemos o Cavaco falar para os gravatinhas, deixemos o Arménio Carlos vociferar na companhia dos pilotos da TAP, deixemos a Maria Tereza Horta lamentar-se para os queques seus amigos, e vamos para a rua dançar, com um cravinho ao peito.



2 comentários:

  1. Entrando pela sua temática, aqui vai mais uma achega:
    O autêntico 25 de Abril é italiano, e mais antigo, de 1945. O nosso, português, é uma "remix", ou um "remake" abastardado e espúrio.

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    1. Eu não diria tanto, no que se refere ao Dia original, de 1974.
      Sobre a Libertação, em Itália: já hoje troquei, no Facebook, impressões sobre as duas datas com um amigo italiano que vive em Portugal há muitos anos. Pelo menos temos a originalidade dos cravos.

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