terça-feira, 21 de abril de 2015

Refugee Blues

Refugee Blues (excerto)

Say this city has ten million souls,
Some are living in mansions, some are living in holes:
Yet there's no place for us, my dear, yet there's no place for us.

Once we had a country and we thought it fair,
Look in the atlas and you'll find it there:
We cannot go there now, my dear, we cannot go there now.

In the village churchyard there grows an old yew,
Every spring it blossoms anew:
Old passports can't do that, my dear, old passports can't do that.

The consul banged the table and said,
"If you've got no passport you're officially dead":
But we are still alive, my dear, but we are still alive.

W. H. Auden, 1939



Blues dos refugiados (excerto)

E dizer que esta cidade tem dez milhões de almas,
Umas que vivem em mansões, outras que vivem em buracos:
No entanto, não há lugar para nós, minha querida, não há lugar para nós.

Já tivemos um país e pensávamos que era justo,
Procura no atlas e vais encontrá-lo:
Agora não podemos voltar lá, minha querida, não podemos voltar lá.

No adro da aldeia cresce um velho teixo,
Que todas as primaveras floresce de novo:
Os passaportes velhos não podem fazê-lo, minha querida, não podem fazê-lo.

O cônsul esmurrou a mesa e disse,
"Se não têm passaporte estão oficialmente mortos":
Mas nós ainda estamos vivos, minha querida, ainda estamos vivos.

W. H. Auden, 1939


4 comentários:

  1. Tirando o feminino, politicamente correcto, saúdo o seu poste e o poema de Auden.

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    1. Pois. Não pensei muito na coisa, é apenas uma tradução utilitária. Mas o blues era cantado essencialmente por homens straight, bons cristãos, e transferir para aqui a experiência pessoal
      do autor - que emigrou para a América de forma confortável - também seria abusivo. Infelizmente, o género neutro é raro na nossa língua...

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  2. De facto, Auden era homossexual e emigrou para os States na companhia de um amigo muito próximo.

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    1. Pois. Mas não deve ter passado as amarguras que conta no poema...

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