quarta-feira, 8 de abril de 2015

Os portugueses, tão...

Os portugueses têm sempre a certeza de que os outros são uma merda. Basta atentar no que dizem e escrevem publicamente.

Sobre a venda de complexo turístico algarvio a um grupo norte-americano:
Estou chocado. É uma vergonha o que estão a fazer ao país. Estamos a vender Portugal aos bocadinhos.
Vilamoura era, desde 2005, propriedade de um grupo espanhol.


Na morte de um cineasta:
Agora todos o elogiam e choram, até os políticos oportunistas. Portugal nunca reconheceu o seu génio, foi preciso os estrangeiros darem-lhe distinções e até condecorá-lo. Em Portugal, um artista só é bom depois de morto.
Manoel de Oliveira era Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (desde junho de 1980), Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (desde dezembro de 1988) e Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (desde dezembro de 2008). Praticamente todos os seus filmes, mesmo os que ninguém viu, foram financiados com dinheiro público.

Sobre um massacre de 147 pessoas/estudantes, no Quénia, por um grupo extremista islâmico:
Onde está agora o "je suis"? Não eram europeus, por isso não valem tanto como Charlie? Hipócritas, que vivem do espalhafato e das modas. Que vergonha, seus porcos!
Escrevem agora os mesmos que publicaram milhares de textos e "emoticons" sobre a assassínio de 11 jornalistas/cartunistas franceses, no mesmo dia (7 de janeiro de 2015) em que o grupo terrorista Boko Haram matava centenas (e obrigava a deslocar dezenas de milhares) de pessoas na Nigéria, facto que quase passava despercebido nas redes sociais.


É este, infelizmente, o nível do debate público em Portugal. E não são os conhecidos "populares" os seus protagonistas: as frases tirei-as, quase todas, do facebook, do twitter e até de artigos de opinião de personalidades, de VIP, de membros da "elite"... O problema, claro, não está no veículo, mas nos condutores e ocupantes.

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