sábado, 18 de abril de 2015

Hambas as duas

Prometo sempre a mim mesmo que não volto a falar do assunto, mas é irresistível. O assunto é a complicada relação do Público com a Língua Portuguesa (e não com o Acordo Ortográfico de 1990 que, em boa verdade, parecem desconhecer por ali). Hoje era este um dos destaques:


Nada de extraordinário, não fosse depois a leitura das duas colunas revelar que, afinal, a nova associação rejeita muitas outras coisas. Também há algumas que quer, e o Acordo Ortográfico seria apenas um detalhe, mas a redação deste jornal transformou-o num destaque enviesado.

... nada de extraordinário, não será bem assim. Porque estranhei logo o subtítulo:


Factualmente, a coisa seria assim: a associação não rejeita. Pelo contrário, aceita. O que quer é que também seja permitida a ortografia que vigorava anteriormente, a de 1945. Posso estar enganado, mas isso é o que ali está escrito. E também na legenda da figurinha:


 ... mas, pergunto, porque diabos quer esta associação tal coisa? Como é que esta posição é, ainda por cima argumentada com o "caos" que grassa pelo país, essa anarquia que resulta, precisamente (na opinião do Público e do presidente da nova associação, o ativista destas causas, por vezes colunista do Público, Nabais) da utilização simultânea das duas ortografias?


Enfim, nada disto me devia surpreender. Nabais é um ativista que até já fez um "esboço do acordista" (a que eu, numa posta antiga, chamei "bosquejo"), é o protótipo do antiacordista, para quem tudo vale como argumento, até o ridículo. As páginas do Público já nos mostraram que, nesta matéria, são uma cloaca. O caos ortográfico pode até ser uma realidade, mas imputá-lo ao Acordo é uma absoluta falácia. Mas defender essa ideia e, em simultâneo, exigir que se continuem a aceitar duas ortografias, parece-me para lá do patético.

E não podia terminar sem ilustrar o caos com mais um exemplo das páginas deste jornal, que, não tendo adotado a nova ortografia, é um reduto da forma mais pura de escrever o português: cheio de erros ortográficos. Eles nem precisam do Acordo para andarem procura de ovelhas, não é?


2 comentários:

  1. http://aventar.eu/2015/04/24/acump/

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    Respostas
    1. Ah! Ah! Ah! Que ignorantes. Mas estes já eram ignorantes antes do AO, certo? Escrevem a palavra com o mesmo erro nas duas "versões", certo? Não são eles que dizem que o caos resulta da coexistência de duas ortografias, e portanto... devem autorizar-se as duas... , pois não?
      Estão, em termos de gastar letras onde não se pode, em boa companhia: a do Público, com os seus "h" em excesso e o "retracto de um arquitecto" com que nos brindou recentemente...
      O problema é do AO? Não me parece.

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