quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Perplexidades.

1. O relatório do PISA. Avaliação do ensino. Há títulos e opiniões para todos os gostos. Que se contradizem. Quer se desdizem. Concluo que os opinadores sabem pouco da matéria sobre que opinam. Opinam porque sim. Porque têm problemas de vesícula. Porque lhes pagam. Porque odeiam o ministro. Porque queriam ser ministro. Porque já foram ministro. Afinal, o ensino em Portugal está a melhorar ou a piorar?


2. E a educação? A cena conta-se na primeira pessoa. É habitual, no Metro, ao fim do dia, viajar na companhia de uma senhora com dois filhos. O mais velho, dos seus 10 anos, relativamente calmo. O mais novo, um terror asqueroso, sempre aos berros e patadas (os termos são mesmo estes). A mãe, desgraçada, sabemos lá a vida que leva e o que tem que aturar. Isto não vale para o casal de senhoras, provavelmente professoras, que ontem viajavam à minha frente. Comentavam a falta de educação do fedelho e culpavam a mãe, que não sabe educar a criança e cede às birras. Uma das senhoras foi lapidar: "Comigo isto não acontecia. Com os meus filhos é assim: chamo-os para a mesa uma vez. Chamo segunda vez. Se não vêm, a comida fica ali, até que lhes dá a fome e lá vão comer." Um exemplo de pedagogia. Deve ter uns filhos exemplares.

3. Sindicalistas com camisolas e casacos de marcas estrangeiras. Autarcas de gravata italiana. Todos a defender uns estaleiros, porque a "produção nacional" para aqui, o "interesse do país" para ali. O que terá um estaleiro de mais português do que a indústria do têxtil e do vestuário?


4. Amanhã, uma têxtil qualquer abre falência e fecha portas. Mais duzentos para o desemprego. Os mesmos sindicalistas e os mesmos autarcas lá estarão de novo, certamente a culpar o governo.

5. A alma lusitana? "Ver um argueiro no olho do vizinho e não ver uma tranca no seu".


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