sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O futebol visto por um Dragão.


1. O futebol português está onde pode estar, tendo em vista o atual panorama desse espetáculo, de cada vez mais para ricos ou endividados. Nenhuma equipa portuguesa consegue chegar ao nível superior, por razões económicas mas, sobretudo, devido à mediocridade dos nossos clubes. Dos 18 da primeira divisão talvez se possa dizer que jogam futebol profissional uma meia dúzia. O resto é lixo. E o lixo arrasta todos para o fundo. O crise que o FC Porto está a passar tem muito a ver com este lamaçal que é o nosso futebol. Quem joga, todas as semanas, com o Belenenses ou o Marítimo, não se pode preparar para o choque que é a Liga dos Campeões.

2. Mas a crise resulta também - e sobretudo - de culpas próprias. De uma gestão empresarial que se deteriorou, pontificando agora uns Anteros que não dignificam a nossa memória, nem sequer a desportiva - foi há exatamente 26 anos que vencemos a nossa primeira Taça Intercontinental, em Tóquio. E de uma incompetência desportiva que se vem acentuando nos últimos dois ou três anos, e que só a mediocridade geral das nossas competições internas permitiram disfarçar.

3. Felizmente, há esperança. Porque o Dragão não é português mediterrânico e chorão. O Dragão é o Portugal que queremos ser, mesmo que a sua voz por vezes fale castelhano ou outras línguas lá de fora. Se Fonseca é um homem sem ideias e sem competência, que tem que ir aprender para outro lado, e se os jogadores até nos parece que não correm tanto quanto deviam, pelo menos são Homens que não se escondem - nem da grunhice dos Super Coisos, nem das suas próprias responsabilidades. Basta escutar as suas palavras dos últimos dias.
"A culpa é nossa. Temos de melhorar o rendimento; falhámos em casa..." (Jackson Martínez, colombiano).
"Se analisarmos todos os jogos que fizemos, cometemos muitos erros e quando isso acontece nesta competição não se merece passar à próxima fase." (Lucho González, argentino).
"Não nos podemos queixar do azar. Houve desconcentração da nossa parte nos golos do Atlético Madrid. Quando assim é, sobretudo a este nível, os erros pagam-se caro". (Fernando Reges, brasileiro).
"Sou pouco de me agarrar à sorte e ao azar. Temos de assumir que há incompetência." (Paulo Fonseca, português).
4. Infelizmente, estes exemplos não são os que interessam à nossa comunicação social. Por isso, continuaremos convencidos que somos os melhores do mundo e que os outros só ganham porque fazem batota.

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