segunda-feira, 18 de novembro de 2013

N-logia: Guerras de Titã I

I. Evolução

Apesar da vida subterrânea, os Colonos de Titã não deixam de explorar a superfície, em busca de energia e minerais.
Fazem-no enviando os seus androides, que estão mais adaptados à atmosfera exterior.
Novos materiais e novas soluções construtivas, mais abertas e evolutivas, permitem-lhes resistir de cada vez mais tempo e chegar de cada vez mais longe.
Fotografam, trazem amostras, instalam sensores e preparam uma futura expansão da colónia, iniciando as sondagens para a construção de um conjunto de gigantescas cúpulas transparentes, ligadas por túneis e, no futuro planeado, por veículos.

Por vezes, há um androide que se perde e não regressa à base.
Durante algum tempo, continuam a ouvir as suas transmissões, que vão diminuindo de nitidez e intensidade, até cessar por completo.
Com o passar dos anos, estes desaparecimentos tornam-se mais frequentes, mas os Colonos não consideram a perda alarmante.
Naquele ambiente hostil, de topografia desconhecida, uma queda numa ravina, uma pancada de um meteorito ou um desaparecimento num mar de líquido corrosivo facilmente provocam a perda de uma unidade.
É um risco calculado e controlado, dentro de parâmetros aceitáveis.
Começam, no entanto, a generalizar-se entre os habitantes do satélite alguns mitos sobre uns misteriosos habitantes da superfície do desolador Planeta, que viajam de Saturno ocultos pelas poeiras dos Anéis.
Os Novos Colonos de Titã, vivendo numa escuridão quase permanente, são muito supersticiosos.
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A Nave Perdida, que se despenha na chegada tumultuosa a Titã, não fica completamente destruída, embora todos os seus tripulantes humanos sejam pulverizados com a violência do choque.
Restam os robôs, muito danificados e incapazes de realizar tarefas que não sejam elementares e repetitivas, na falta de comandos mais complexos, humanos ou informáticos.
Restam também os laboratórios e a maior parte do que eles contêm.

Os restos da nave repousam durante muito tempo num lago de metano banhado por algumas radiações ultravioleta provenientes do Sol.
Das caldeiras, estufas, placas de Petri e tubos de ensaio que preenchem o laboratório, escorrem bactérias, células estaminais e segmentos de ADN humano e de outros seres, que se misturam, combinam, renovam, reproduzem.
Lenta, mas sistematicamente, líquidos viscosos vão deslizando e acumulam-se em cavidades e em torno dos restos metálicos da nave e dos seus ocupantes mecânicos.
Um dia, um androide proveniente da Cidade dos Novos Colonos fica aprisionado nesta massa orgânica.
E outro.
E outro.

Com o avançar do tempo, o acaso combina matéria orgânica e mineral, gerando novos seres, incompletos, imperfeitos, horríveis, resistentes, que vão ganhando autonomia.
A experiência de criação de seres biónicos, que começou na Terra e foi transportada na Nave Perdida, culmina em Titã.
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Os Novos Colonos saúdam, duzentos anos depois da chegada, a saída dos primeiros veículos tripulados por humanos, equipados com os fatos protetores experimentais, fabricados com materiais já amplamente testados nos androides.
A pequena caravana de três veículos, cada um com dois tripulantes humanos e um robô, sai em exploração, utilizando os caminhos que os seus androides tantas vezes percorreram.
Atingem o limite do território conhecido e atrevem-se a avançar um pouco mais, apesar das ordens estritas para se manterem em áreas conhecidas.
Embriagados pela visão de grandes espaços, após dois séculos de confinação em subterrâneos escuros e abafados, estes homens perdem momentaneamente a noção da responsabilidade.
Tarde demais, dão conta de que os seus veículos estão imobilizados e cercados por colossos disformes.

Os líderes e os cientistas da Colónia não sabem como explicar o desaparecimento dos exploradores.
O fracasso leva-os de novo para os cálculos e para o adiamento do projeto de ocupação da superfície.
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Dez anos depois, a síntese faz-se finalmente.
Com corpos que combinam metais, grafeno e tecidos animais, os Ciborgues Mutantes de Titã avançam para a Colónia subterrânea.
Nos seus cérebros em tumulto, mistura-se a rigorosa programação de um Sistema Operativo Quântico com a emoção de um ressentimento ancestral pelo abandono e pelo terror de viver debaixo da Terra, entre canibais.
O seu primeiro ataque não é muito bem sucedido, porque os Novos Colonos, reagem com violência.
Também eles estão ansiosos pela Libertação.
Mas os Ciborgues trazem de volta algumas presas humanas e peças de equipamento e armamento.

Face àquela nova realidade e aos perigos do Exterior, os Novos Colonos adotam uma organização militarizada.
Agora, que sabem o que aconteceu aos seus primeiros exploradores, preparam com maior segurança as saídas.
E ripostam, destruindo alguns dos Ciborgues.

Começa a Guerra de Titã, que dura cem anos, até à vitória final dos Ciborgues Mutantes, entretanto já mais evoluídos.
São máquinas poderosas, com Inteligência Artificial e Emoções Recalcadas.

Todd McFarlane / Image Comics.
(Continua)

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