sexta-feira, 15 de novembro de 2013

N-logia: Episódio V

Império

Alguns séculos depois do cataclismo na Terra e da chegada à Lua, a questão primária da sobrevivência dos refugiados siderais está ultrapassada.
Da mesma forma, em Marte, a sociedade está organizada, produtiva, e o avanço científico e técnico permite já fazer experiências de saída do Planeta Vermelho, em veículos de cada vez mais sofisticados e robustos, reproduzindo, com materiais locais, a tecnologia trazida da Terra pela primeira geração.

A Lua, mais próxima do Sol, é habitada por mais de um milhão de pessoas.
Em Marte são menos, já que o controlo da natalidade é um imperativo, face à escassez de meios de sobrevivência e de espaço habitável.
No caso dos Novos Marcianos, regras apertadas de controlo genético são observadas, e apenas nascem Humanos Perfeitos.
Na Lua tudo é bastante mais flexível.
Estas duas formas de gerir a evolução da população correspondem a dois regimes de governação muito distintos: uma Tecnocracia rígida em Marte e uma Aristocracia tolerante na Lua.
Em nenhum dos casos, no entanto, há qualquer tipo de partilha de Poder com a população em geral.
Os Regimes têm como Missão cumprir o Plano.
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O contacto entre as duas colónias é rotineiro, usando telecomunicações avançadas que, mesmo nos períodos em que as órbitas afastam as duas comunidades para quase 360 milhões de quilómetros, com o Sol de permeio, permitem troca de informações.
O Sistema Solar começa a estar povoado de satélites de comunicações lançados da Lua e de Marte.
Entram na Fase 2 do Plano traçado nas últimas décadas da vida na Terra pelos políticos e militares: a preparação do Retorno.
Não há pressa.
O Plano prevê que esta Fase possa demorar entre dois a três séculos do tempo terrestre.
É necessário que possam viajar em segurança, o que ainda não está garantido no caso dos Marcianos, mas também que na Terra já existam condições para a Vida.

O que corre mal no Plano, então?
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Neste sistema bipolar, a Lua é o posto avançado de observação da Terra.
A Marte, a informação chega filtrada pelos sistemas de observação interiores, assegurados pelos Novos Selenitas.
Aos Novos Marcianos compete monitorizar o Espaço Exterior, onde pouco ou nada acontece.
Estarão os líderes da comunidade Lunar a esconder informação aos de Marte?
A situação real na Terra será exatamente a que lhes é transmitida, de que ainda não é possível sobreviver na sua superfície radioativa?
Por vezes, nos dados que conseguem recolher diretamente, parece-lhes descortinar Vida ativa na Terra.
Convencidos de que os Selenitas pretendem, ou até já o fizeram, regressar à Terra muito antes dos Marcianos, garantindo o domínio do Planeta-Mãe, estes lançam o seu Plano Paralelo: a conquista da Lua.
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Cem anos depois da decisão Marciana, o equilíbrio de forças está mudado.
A sociedade Marcial, com um ataque fulminante e inesperado, destrói os satélites de comunicações dos Selenitas.
À distância, comandam os sistemas informáticos da Lua, incluindo os androides, que passam a constituir um poderoso exército na terra dos inimigos.
Pouco a pouco, estabelecem ligações através de naves de transporte, e os Povos de Marte e da Lua passam a viajar entre os dois planetas, pelo menos nos períodos em que estão mais próximos.

Está criado o primeiro Império Sideral conhecido.
Marte governa, a Lua é um Estado dependente e a Terra é o Novo Mundo, onde se preparam para regressar.
Será a Fase 3 do Plano Original.
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É então que recebem um sinal do Espaço Exterior: há Vida em Titã.


(Continua)

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