quarta-feira, 13 de novembro de 2013

N-logia: Episódio IV

Em Titã

Titã é um planeta agreste.
Quatro naves atingem a sua superfície, mas uma delas fica destruída à chegada.
As três restantes pousam em locais próximos.


Embora seja possível o contacto entre os viajantes, a atmosfera saturada de metano e amoníaco e a baixíssima temperatura à superfície não recomendam saídas para o exterior.
Tanto os fatos protetores dos humanos como os organismos sintéticos dos andróides entram em rápida degradação quando contactam com o ar corrosivo.
Além disso, a atmosfera é extremamente inflamável, e qualquer descuido poderia ter consequências dramáticas.
O consumo energético, para manter a temperatura dentro de limites aceitáveis, seria também insuportável.

Por isso, decidem-se por uma das soluções previstas no plano de contingência: a vida subterrânea.
Contam com as suas máquinas elementares, desenvolvidas através do Projeto OSE (Open Source Ecology) ao longo das décadas que precedem a hecatombe terrestre.
São máquinas que facilmente montam e comandam a partir das próprias naves, permitindo construir túneis e câmaras que interligam as três naves, as quais também são semi-enterradas.
O satélite de Saturno gera algum calor vulcânico que permite a sobrevivência e a proliferação das espécies animais e vegetais que chegam da Terra destruída.

Outra opção que a comunidade toma é a de orientar a sua investigação científica e tecnológica para o desenvolvimento de novos materiais, resistentes e adaptados às condições de Titã.
Esta é a prioridade assumida para as primeiras décadas, já que reconhecem que a distância a que se encontram de outros eventuais sobreviventes, em Marte, na Lua ou mesmo na Terra, impedirá durante muito tempo a possibilidade de viajar com sucesso.
Presos a mil duzentos e cinquenta milhões de quilómetros da Terra, seu local de origem, a sua preocupação principal não será voltar, embora mantenham as antenas de comunicação à espera de um sinal vindo do interior do sistema solar.

Os lagos de hidrocarbonetos, à superfície, permitem resolver o problema energético, através de geradores e motores alimentados a metano, uma tecnologia já dominada na Terra.
A alimentação é assegurada através do cultivo, em estufas, de diversas espécies de tubérculos e fungos.
As proteínas animais são garantidas através de uma prática cruel, mas justificada naquelas condições extremas: os novos habitantes de Titã são antropófagos, embora contra o seu gosto.
A dieta dos novos habitantes de Titã é frugal, porque os angustia a origem da carne que comem, e muitos são vegetarianos.


[Imagens: ESA/ Huygens 2005]

2 comentários:

  1. Angustia-m'a mim qanto mais a eles. Andrófagos, pode ser? remete pòs androides que por essa altura já incorporum chicha.
    CABURS sponse

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Usar andrófago, porque não? Realmente, é sugestivo. Embora, nesta fase, eles ainda não sejam androides com chicha, os meus queridos ciborgues...
      E: o que é CABURS sponse?

      Eliminar

Esteja à vontade para comentar. E escreva na língua que lhe apetecer, mas escreva bem!